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Alto Alentejo tem enorme potencial para a produção de biocombustíveis



O perfil agrícola e as condições edáficas do território parecem ser adequados ao cultivo de plantas com interesse energético


A produção de biocombustíveis como o biodiesel, o bioetanol, o biogás e as próprias biomassas, sob a forma de pellets ou estilhas de madeira, têm vindo a registar aumentos significativos em todo o mundo, em especial em países como o Brasil, os Estados Unidos da América e regiões como a Ásia e a Europa em geral, os países do norte do continente em particular.

A região do Norte Alentejo, pelas suas características socio-económicas e climáticas está talhada para liderar o envolvimento do país na pesquisa e produção de novos combustíveis, renováveis e amigos do ambiente. Na verdade a intensidade da actividade agrícola, pecuária, agro-industrial e industrial desenvolvida na região é geradora de resíduos, em quantidade e qualidade, adequados à produção de biocombustíveis.

Nos países do norte da Europa, as explorações agrárias e pecuárias, usam os resíduos gerados na sua actividade para produzir biogás por digestão anaeróbia que, por sua vez, permite a produção de energia eléctrica e calor para satisfazer, em grande medida, as necessidades energéticas das explorações ou até mesmo vender para as redes locais ou nacionais, contribuindo para aumentar a sua rentabilidade e reduzir as cargas ambientais associadas à actividade.

A região do Alto Alentejano possui dos maiores efectivos do país em termos de gados bovino, suíno, ovino e equino, entre outros, cujos dejectos poderão ser aproveitados para a produção de biogás. Por outro lado, as lamas das ETAR’s, as borras de café, os resíduos de queijarias, salsicharias e matadouros, podem também ser processados por digestão anaeróbia para obtenção de biogás e adubos, com redução das respectivas cargas ambientais.

O perfil agrícola e as condições edáficas do território parecem ser adequados ao cultivo de plantas com interesse energético, tanto ao nível do aproveitamento directo da sua biomassa, como da obtenção do biodiesel e bioetanol. Está-se a falar, por exemplo, de plantas como a piteira, cujo fruto, o “figo da Índia”, permite a obtenção de bioálcool, para além de doces, sumos, bebidas alcoólicas e outros produtos alimentares, enquanto que o cladódio (“folha”) pode também ser aproveitado, tanto na alimentação humana como na animal, para além da produção do biogás por digestão anaeróbia.

Outro exemplo é a produção de microalgas para a qual a região possui as condições de insolação e temperaturas adequadas. Para além do biodiesel e biogás, as microalgas permitem também alcançar uma extensa gama de produtos que vão desde alimentos e medicamentos e produtos cosméticos de elevado valor comercial.

Sentindo essa necessidade a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre tem vindo a desenvolver uma estratégia consistente de investigação, desenvolvimento e formação na área das energias renováveis, em particular das bioenergias, através da criação da licenciatura em Engenharia das Energias Renováveis e Ambiente e do Mestrado em Tecnologias de Valorização Ambiental e Produção de Energia e, mais recentemente, da licenciatura em Tecnologias de Produção de Biocombustíveis (primeiro e ainda único no país!) e ainda do seu “Projecto Bioenergias”, cujas instalações físicas, baseadas em plantas piloto de demonstração de tecnologias de produção de biocombustíveis, já em construção no seu campus.

fonte (Ciência Hoje)